terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz solstício

Apesar de achar que todas as datas comemorativas são carregadas de simbolismos que na prática são vazios, pois não lembramos dos valores que elas trazem durante o resto do ano, hoje é um dia que eu acho que deve ser, no mínimo, lembrado.
Nos solstícios e equinócios deveríamos lembrar como nossas vidas são completamente influenciadas pela natureza, que o planeta é nosso lar e nossas pequenas e efêmeras existências sobre ele obedecem a seus ciclos e devem se conformar a eles, e não eles ao nosso arbítrio. São ocasiões assim que deveríamos aproveitar para pensar, refletir e concluir como somos arrogantes e prepotentes ao achar que o planeta é NOSSO, quando na verdade nós é que somos dele. O dia de hoje é um forte exemplo disso.

O solstício de verão muda a vida em todos os cantos do planeta. Particularmente aqui no Ceará, ele significa o início da pré-estação chuvosa, promessa de vida para o forte sertanejo e de muitos problemas para boa parte da população fortalezense. Irônico que no campo, o homem, dado como ignorante e inculto, entenda melhor um dos conhecimentos mais básicos e fundamentais da humanidade, refinado há milhares de anos por nossos remotos antepassados e esquecido e embotado pelo urbanismo inconsequente. Não fosse assim, nossas cidades seriam planejadas para se conformar aos ciclos naturais, o que não acontece.
Curioso também que a Igreja Católica tenha determinado essa data para comemorar o nascimento de Cristo, visando evitar que os fiéis participassem dos Yule europeus (embora lá se comemore o solstício de inverno nessa época).

O solstício de verão também muda a minha vida, em particular, pois a partir dessa data eu costumo ficar um pouco mais feliz, principalmente em anos de La Niña como 2011 vai ser. Porque poucas coisas são tão agradáveis quanto acordar, olhar pela janela e ver aquele dia cinzento, molhado e friozinho até o horizonte; sair de casa e sentir as pequenas gotas bater em seu corpo, geladas e carinhosas, genuína bênção da natureza; e olhar para o rosto da pessoa que você ama, a água escorrendo pelos cabelos e faces, linda como em nenhum dia de sol ela consegue ser.