domingo, 27 de novembro de 2011

Debaixo da cama

Faz dias que não sinto vontade de sair de debaixo da cama.

Por favor, apenas me deixem aqui.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Citação do dia

"Os propósitos de Deus nem sempre são fáceis de entender, mas descobri que os métodos Dele não são tão indiretos quanto os nossos. Nós complicamos Deus porque não vemos que a bondade é muito simples."

O Herege
Bernard Cornwell

sábado, 19 de novembro de 2011

Eu alimento pesadelos

Dia desses, voltei a ler uns trabalhos do Lovecraft.
Lovecraft certamente é meu exemplo máximo no que concerne a histórias de terror e suspense. Tivesse eu uma porção mínima de seu talento inegável de evocar, com as palavras certas, os medos mais primitivos da mente humana! Suas histórias jogam os personagens em situações aterradoras que os colocam à beira da loucura. E o que é pior, ou melhor, suas descrições dos fatos, enevoadas pelos sentidos abalados dos narradores desafortunados, não passam batidas pelo leitor incauto.
Eu prefiro ler suas histórias quando todos em casa já estão dormindo, e chego a tal nível de imersão que me sobressalto com barulhos na noite lá fora. A verdade é que minha imaginação sempre foi muito influenciável, e Lovecraft, com sua maestria, produz em mim efeitos ciclópicos. É comum, quando durmo após passear por seus horrores, sonhar com seus seres e paisagens de ignominiosa malevolência.
E o curioso é que eu gosto disso! Eu gosto de pesadelos. Gosto da sensação de medo, de confrontar o desconhecido, de lutar pra fugir de algo terrível. Minha mente produz situações das mais complexas e criativas e me põe pra me livrar delas. E eu me divirto com isso.
Que o Grande Cthulhu devore nossas almas rápido e sem dor...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Por que, Senhor?

"Eu fui transformado
Agora eu sou Cristão
E no meu paredão
Só rola salvação, eu saí da zueira
Agora eu tô na luz
O dono do meu paredão agora é Jesus"



Ministério Novo Felipão


Por que, Senhor, permitíeis, que toquem música alta e ruim em Vosso santo nome? Por quêeee????


Realmente, são insondáveis os motivos do Altíssimo...

domingo, 9 de outubro de 2011

Gestação mental

Dia desses percebi que o processo de criar uma história é como uma gestação. A história surge um dia na sua cabeça, concebida por algo que se viu, ouviu ou sentiu. Às vezes, mesmo sem se perceber, como se ela fosse enviada pelo Espírito Santo. Não importa como, sua mente já foi fecundada e carrega agora um pequeno embrião literário.
Você pode dar atenção ao feto, nutrindo-o com seus sonhos, perspectivas e lembranças, querendo que ele cresça e se desenvolva. Ou pode escolher ignorá-lo, tentar esquecê-lo, mas ele continua crescendo mesmo assim. Pode acontecer até de ele atrofiar, desnutrido e pequenino, perdendo-se no negrume do inconsciente, pobre história abortada, e você vai levando seu dia-a-dia sem sequer lamentar sua morte.
Conforme a história vai tomando forma, você querendo ou não, o peso dela vai aumentando em sua cabeça e fica cada dia mais difícil carregá-la para onde você for. Não importa o que você esteja fazendo, ela consome seus pensamentos o tempo todo, tirando sua concentração, se remexendo e chutando sem parar no seu cérebro.
Até que chega o momento em que você não aguenta mais e resolve trazê-la à vida de uma vez. O parto de uma história é suado. É a hora em que todo o esforço deve ser investido na escolha das palavras, em sua colocação nas frases, no uso dos recursos linguísticos. Transformar ideias em símbolos exige ponderação, paciência, sabedoria, e é um trabalho tão hercúleo quanto transformar energia em matéria.
Enfim, o rebento nasce! Depois de toda dedicação e cuidado da gravidez, e do suor e sangue para dar-lhe à luz, resta agora contemplar o filho amado, enchendo-o de mimos, como todo pai/mãe coruja...

P.S.: Claro que milhões de pessoas antes e depois de mim podem falar sobre isso com muito mais propriedade. Longe de mim querer ser comparável a elas.

domingo, 2 de outubro de 2011

Uma história de Möbius

Eu acordei no meio da noite. Não conseguia mais dormir. Mas eu sabia que havia alguma presença no meu quarto. Eu a percebia com um sentido que não sabia que possuía, até então.
Eu não tinha coragem de me mexer. Demorou muito para me convencer a abrir os olhos. Parecia que tudo estava quieto, mas eu tinha certeza que alguma coisa se movia ali no canto. Era como se as sombras brincassem com elas mesmas, rodopiando e cantando, cirandando de mãos dadas. Quase dava pra ouvir sua canção de júbilo.
E o mais estranho foi minha ausência de estranheza...
Não sei como, mas sei que aquilo tocou em mim. E soube também, de um modo ou de outro, que naquele momento eu estava morto.
Além disso, eu não sabia de muita coisa mais. Quase não sabia quem eu era. Tinha a vaga consciência de ter estado em épocas longínquas e espaços infinitos, mas não conseguia precisar o aqui e o agora.
Mas tinha a nítida lembrança de ter estado em um quarto escuro. Sabia que era um quarto, pois havia uma cama e uma pessoa dormindo nela. Acho que a acordei, porque ela olhou direto para mim.
Oh, que dó! Havia tanta dor e desespero naqueles olhos. Tendo presenciado tanta coisa Universo afora, eu nunca havia contemplado uma alma se contorcendo tanto em agonia. Uma pessoa que sofria tanto em viver, que não pude me manter impassível.
Me senti na obrigação de lhe proporcionar algum alívio, um meio de esquecer o peso da vida e se sentir livre de todo o sofrimento.
Com amor e ternura, eu o toquei em solidariedade.
E soube, de um modo ou de outro, que naquele momento eu estava morto.

P.S.: Sempre achei divertido o anel de Möbius, mas foi Neil Gaiman quem me demonstrou seu sentido narrativo em seu conto "Os Outros", e sim, este conto foi muito inspirado no dele e surgiu, da mesma forma, muito imprevisivelmente. "Os Outros" encontra-se na coletânea "Coisas Frágeis 2".

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Feliz equinócio!

"Teu xodó
É que nem noda de caju
Desde que abracei tu
Nunca mais quis me largar
"

Setembro traz mudanças que nós, tão entretidos com nossas vidinhas urbanas, não percebemos, ou não paramos para refletir a quê se devem. Mas, indiferentes à nossa ignorância, a Terra continua a girar e o Sol continua a arder, operando juntos milagres que se repetem a Eras, todos os dias, todos os anos. Milagres que embasbacariam nossa vã filosofia, se ao menos pudéssemos vê-los, soubéssemos contemplá-los. E mesmo assim, eles continuam (e continuarão) a acontecer.
Com Setembro vem a Primavera, e os ventos começam a cansar de usar toda a sua força, diminuindo o ritmo e recuperando o fôlego, para poder voltar a correr tresloucados em Junho. Aqui no Ceará, a Dama Primavera não traz uma cesta cheia de flores perfumadas, e sim cheia de algo muito mais, digamos, apetitoso... Nham, nham!
Os jambeiros abrem mão de seu tapete róseo, feito de suas próprias pétalas, para exibir orgulhosos galhos carregados e um chão cheio de manchas roxas. E nada tem mais gosto de infância do que se trepar num jambeiro, ou jogar o chinelo entre as folhas, na esperança de se deliciar com um jambo, docinho e fresquinho. E pra quem não enjoa fácil, pode se fartar com os sapotis, ou com seus sucos e vitaminas. (Ai, deu fome!)
Mas nada deixa a Dama Primavera tão realizada quanto encher o ar com um cheiro doce, forte, que lembra logo a sensação de perfurar com os dentes um pele fininha, sedosa, enfiar a língua numa carne macia e úmida que inunda a boca com um sumo divino. Lembra também sucos e doces, feitos em casa, deliciosos, além de castanhas, torradinhas e crocantes, de dar água na boca. Huuuuum...
É o momento auge de um dos maiores trunfos do Ceará, hora de mostrar toda sua vida e potencial. Momento que ele aprendeu, em milhões de anos, a sincronizar com a vinda da ZCIT lá do Norte, trazendo umidade, pouquinha, sim, mas o bastante para garantir a sobrevivência de seus filhos. Tanto é que o sertanejo fica todo contente quando vê Setembro trazendo a Chuva do Caju!

sábado, 3 de setembro de 2011

Frivolidade

Caramba, a Estante tá meio empoeirada, né? Faz tempo que não passo por aqui. Mas diferente da outra vez, isso não se deve a um período de dormência sentimental. Muito pelo contrário...
Os últimos meses têm sido de emoções intensas, capazes de me rasgar a alma e torturar a mente. Acontece que simplesmente não me senti capaz de traduzir essa intensidade toda em palavras. Qualquer esboço que eu formava na minha cabeça, tentando falar sobre o que se passava dentro de mim, soava tristemente tosco, infinitamente incapaz de refletir o que sentia. As frases não se encontravam, a mensagem não parecia fazer sentido. E, no fim, só me sobrava uma enorme raiva e frustração com a minha inépcia em me expressar.
Além disso, nunca mais tive a menor criatividade que fosse para escrever uma historinha qualquer. Mas tem uma história que escrevi no começo do ano, e me orgulho particularmente dela. Talvez a poste aqui nas próximas semanas, só por falta do que postar mesmo.
Tive um sonho bizarro hoje. Claro que bizarrice é uma característica inerente aos sonhos, mas chamo de bizarros aqueles que me deixam, de certa maneira, impressionado. Alguns me surpreendem pela complexidade da história (não sei vocês, mas todos os meus sonhos têm uma espécie de enredo), de fazer inveja aos filmes do Christopher Nolan, outros por serem realmente assustadores (embora eu classifique poucos como pesadelos). Tenho sonhos assim com uma certa frequencia, mas queria ter mais!
O começo do sonho se perdeu nas brumas da noite (é horrível quando isso acontece), mas em dado momento havia a presença muito forte de um certo tipo de mulher, que no meu mundo onírico pertencia ao folclore escandinavo (o.O'), capaz de conversar com os espíritos através das mãos. Lembro vagamente de interagir numa boa com a tal mulher. A lembrança vívida que tenho se deu logo depois. A voz do narrador do Câmera Record perguntava, enquanto se passavam perante a mim imagens pitorescas relacionadas ao que ele falava: "É possível se comunicar com os espíritos através das mãos? O que acontece quando um espírito desce à Terra?"
E eu entendi, intuitivamente, que a figura mostrava um espírito fazendo a travessia entre os planos. E no exato instante em que ele a completava, eu senti algo tremendo em meu pescoço, próximo à nuca. Então eu acordei, sobressaltado! Coração fazia um barulho louco, a respiração toda desregulada. Pensei que pode ter sido um tremor muscular, ou só minha imaginação, mesmo. Pior seria se tivesse sido uma barata! Mas, eu logo me acalmei, tenho a qualidade de ser muito sangue frio e recuperar o auto-controle muito rápido. Independente disso, não consegui mais pegar no sono (acordei às 4:30).
É, esse foi um post muito chato mesmo, eu sei. Não falei sobre nada demais, mas senti que precisava escrever alguma coisa, mesmo umas frivolidades.

P.S.: Quem descobrir se existe no folclore escandinavo alguma referência a mulheres que falam com espíritos pelas mãos, ganha um carro 0 Km... Mentira, RÁ!!!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A esperança é a penúltima que morre.
O último é você.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Junho!

Você é a fogueira do meu arraiá,
a castanha do meu pé-de-moleque,
a erva-doce do meu bolo de milho
e a pimenta do meu vatapá!
É tempo de colher o que se plantou.
A amizade que virou amor,
O carinho que cresceu em paixão,
A humildade que agora é respeito,
O companheirismo já é lealdade.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Feliz solstício

Olha a chuva!
É mentira...

E é mentira mesmo, pois chegamos no solstício de inverno. Embora no Ceará (e no nordeste, de forma geral) não neve, nem faça mais frio nessa época do ano, é uma data que não passa batida no calendário. A maioria das pessoas associa com o início da estação dos ventos fortes, tempo da meninada soltar raia (pipa, papagaio...) na rua. Mas quase ninguém entende como o solstício tem impacto muito mais profundo em nossa cultura e nossos costumes.
O solstício de inverno marca o fim da estação chuvosa. Por isso, junho é o mês em que o sertanejo colhe o que plantou, é quando as plantas estão abundantes de frutos e os animais gordos de tanto pastarem. Enfim, é o limite da bonança, antes das provações da estação seca.
E o que fazer com tanta fartura? Comemorar, ora! Aí é que entra em cena a magia de transformar macaxeira em bolo, milho em canjica, algodão em roupa nova e madeira seca em fogueira pra gente pular. Os festejos juninos nada mais são do que uma maneira de celebrar a colheita do ano, um dos costumes humanos mais antigos, pagãos e condenados pela Igreja Católica durante a Idade Média. Irônico DEMAIS que eles tenham se desenvolvido em torno da adoração dos santos lembrados em junho; supondo que não houvesse dia de santo nenhum nesse mês, o sertão ainda pipocaria de arraiás, expressão máxima da cultura e da vida nordestinas!

domingo, 12 de junho de 2011

Com ela, todo dia é dos namorados

Por que ser romântico em um só dia?
Por que dizer coisas bonitas,
dar presentes em um só dia?
Ela é especial todos os dias,
põe um sorriso no meu rosto e
muda minha vida todos os dias.
Com ela, é eternamente dia dos namorados.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mas eu me mordo de ciúme...




"Cara, quando eu penso sobre esse negócio de ciúmes, eu acho que a gente só sente isso porque vê nas novelas da Globo."
Tiago Pinheiro

Esse foi, com certeza, um dos comentários mais espirituosos que eu já ouvi sobre o assunto. Aproveitando a data em que os casais ficam "inexplicavelmente" mais românticos e menos propensos a discussões, vamos dissecar o tema.

Por que sentimos ciúmes? Não vou eximir a Globo de toda a culpa, mas ela está muito longe de ser a principal culpada. O fato é que a regra geral na Natureza (e lembre que você não pode se ver à parte dela) é que a parte feminina leva a pior na hora de perpetuar a espécie. Cabe à fêmea a função de alimentar a geração que virá, enquanto ela não pode fazer isso por si, seja por alimento armazenado nos ovos onde a cria nascerá, seja durante a gestação e amamentação (como é o caso dos mamíferos). Enfim, procriar é muito mais dispendioso para a fêmea, pois ela precisa ceder nutrientes de seu corpo para os filhos. Já o macho... bem, o macho só contribui com os gametas mesmo (e se diverte muito com isso ^^)

Blábláblá, um monte de papo de biólogo. O que isso tem a ver com ciúmes?

Tudo! Pense comigo: todos somos movidos pelo instinto da procriação, a evolução moldou toda forma de vida assim. E já que o macho não tem nada a perder procriando, o instinto o leva a querer sair espalhando seus gametas por aí, a torto e a direito, é de quem quiser! Por outro lado, para a fêmea procriar deve ser um investimento cuidadoso, pois ela tem mais a perder. Pensando no sucesso da prole, ela não vai querer ter filhotes com qualquer um; ela vai querer o mais forte, que caça mais, que corre mais. Enfim, a fêmea escolhe o macho que gerará os melhores filhos. Ou ainda, vai querer que o macho ajude a cuidar deles.

Aí foi que começou a baldear tudo!

Pois é comum, em muitas espécies, o macho ajudar a cuidar da prole, protegendo e alimentando. Mas, geralmente o casal se separa após os filhos "deixarem o ninho". O problema mesmo foi quando a humanidade começou a se organizar em uma sociedade monogâmica. A mulher, após ter o filho do homem que ela escolheu como o melhor, não vai querer que ele saia tendo filhos com qualquer outra que apareça (fazendo-o contrariar um instinto fortíssimo); ela precisa dele ali para cuidar da sua prole. E o homem, já que vai ter que fazer isso, tem que garantir que ele tá cuidando é dos seus filhos mesmo, e não do Raimundão.

E voilá! Temos o ciúme, puramente instintivo e voltado para o sucesso da prole.

Mas pare para pensar: quanto tempo dos relacionamentos hoje é dedicado à procriação? A maioria das pessoas começa a namorar antes dos 15 anos, e só vai pensar em ter filhos lá pelos 35. A principal função de nossos relacionamentos passou a ser simplesmente a busca de felicidade e alegria, estar com quem se gosta. Mas onde o ciúme se encaixa nisso? Com sua fortíssima base biológica, ele não pode ser ignorado; ele assumiu, então, um aspecto cultural e comportamental. Ninguém quer que seu parceiro(a) se envolva com outra pessoa por isso ser um estigma social e um baque na auto-estima. Aí é que a Globo (e outros gigantes da comunicação) tem sua parcela de culpa, reforçando esteriótipos, construindo comportamentos e alienando a população. Ora, eu já vi casos de gente dizer que sentiu ciúmes, diante de situações banais, apenas porque achou que DEVERIA sentir.

Mas já passa da hora de refletir se esse comportamento faz sentido!

Em qualquer nível, do mais grave ao mais leve, o ciúme é um sentimento de posse. Você acha que seu parceiro não tem o direito de fazer tal ou qual coisa porque ele... ora, ele é o SEU parceiro! Mas, céus, ninguém é de ninguém! Se alguém fica com você é porque essa pessoa é feliz com você, gosta da sua companhia e atenção. Você deveria se sentir honrado com isso, e não se sentir dono da pessoa.

O que eu vou dizer talvez seja incompreensível pra muitas pessoas, mas fazer o quê?

Seu/sua namorado(a) não é seu/sua. Seu/sua esposo(a) não é seu/sua. Ele(a) é uma pessoa livre pra fazer o que quiser, e que apenas se sente bem do seu lado e quer ser feliz com você. Mas isso não é motivo pra ela não poder se sentir bem na companhia de outras pessoas, fazendo o que ela tiver vontade de fazer. Afinal, se você a ama, quer muito sua felicidade, não? Então, deixe-a ser feliz, sair com quem quiser, abraçar quem quiser, beijar quem quiser, fazer o que quiser. Isso nunca vai querer dizer que ela lhe ama menos. Como bem disse um cara que não me lembro agora quem foi (acho que foi o Bob Marley): "As coisas que amo, deixo-as livres. Se não voltarem, é porque nunca as conquistei."


"E se ela descobrir que é mais feliz com outro alguém do que comigo?" E você vai negar a quem você ama o direito de ser feliz?! É muito egoísmo, não?

É claro que não é nada fácil lutar contra um comportamento já concretado na mentalidade coletiva, e baseado em milhões de anos de evolução. É realmente nadar contra a corrente. É muito mais cômodo aceitar as coisas como são, e acreditar na máxima "um pouquinho de ciúme é bom pro relacionamento". Mas é muito melhor saber que você pode fazer tudo que se tem vontade sem ter que ficar escondendo de quem você ama, e poder confiar que aquela pessoa nunca vai ter medo de lhe contar nada. É preciso amadurecer, sim, e muito. Superar nosso orgulho, nossos medos, para enfim abraçar uma relação em que haja apenas a sinceridade, a busca pela felicidade comum e, claro, o amor, puro e intenso.

Esse foi meu presente de Dia dos Namorados para todos vocês. Espero que ajude a tornar suas relações o que devem ser: fonte apenas de alegria.
"Não há nenhum ciúme no amor; o ciúme é só orgulho e egoísmo"
Severo Catalina del Amo

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Citação do dia

"Os seios sempre lhe pareceram um milagre. Quando eram tocados ou chupados, pareciam deliciosos demais para serem mais que momentâneos. Como sorvete ou creme chantilly, esperava-se que derretessem na boca. O fato de eles permanecerem no lugar, dia após dia, apenas à sua espera, fazia parte da total impossibilidade do sexo feminino para ele. Era essa toda a ciência que ele conhecia."
Anne Rice

Oh, céus!!! É exatamente isso o que eu penso, mas nunca consegui traduzir em palavras. É realmente impossível eles estarem sempre lá. Não, eu não consigo entender como as mulheres podem existir. Suas curvas, sua pele, seu cheiro, suas carnes, suas elevações e reentrâncias me bombardeiam tanto os sentidos que não posso acreditar que sejam mais do que ilusões, devaneios criados pela minha mente na tentativa desesperada de acreditar que existe algo de bom no mundo.

Dia dos namorados chegando...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Citação do dia

"Antes do orgasmo feminino, em tese, toda ejaculação é precoce."

M.M.Soriano


Quem concorda? Quem discorda?


Dia dos namorados chegando...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Como um filme ruim

Eu é que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar.

Raul Seixas

Recentemente, o mundo mais uma vez deveria ter acabado e não acabou. E, como sempre, a euforia tomou conta das pessoas.

Não é engraçado como todo mundo se comporta quando surge uma história dessas? Parece que as pessoas ficam na expectativa, esperando pra ver o fim de tudo. Acho que isso acontece porque, enfim, ninguém está gostando do mundo mesmo, como quando a gente vê um filme ruim e pensa: "Ai, que saco! Esse filme não acaba, não?!". E agora, com toda essa parafernália de FaceTwitterKut.net, qualquer mané que conclua que o mundo vai acabar semana que vem, baseado na cosmologia dos antigos cherokees da Patagônia do Oeste, logo causa um rebuliço mundial. Viva a inclusão digital!

EI, VOCÊ! É, você mesmo, morgando aí na internet! Você anda gostando do mundo, acha ele um lugar legal? Não?! Bem, você não o único. Mas, em vez de simplesmente ficar esperando que ele acabe em um final apoteótico, que tal fazer algo a respeito? A internet serve pra algo mais além de descobrir a próxima previsão do apocalipse. Nas redes sociais virtuais você pode encontrar outras pessoas insatisfeitas no seu bairro ou cidade, e pode unir-se a elas pra tentar fazer do mundo um lugar melhor. É claro que você vai viver com a frustração de que nunca conseguirá fazer qualquer mudança significativa, mas irá morrer com a consciência de que fez o que pôde, e talvez até consiga mudar uma vida ou duas, veja só!
Ou isso, ou se mate. Porque esperar o mundo acabar não tem se mostrado muito eficiente.

PS: Vou é ler Belas Maldições, que é melhor...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Todas as manhãs


Acorde! Acorde! Ei! Abra os olhos, levante!

Pra quê?

Ora, pra quê?! Para o mundo, a vida, as cores, o vento!

E de que me serve tudo isso?

E de que lhe serve ficar aí?

Aqui não há luz, não há dor, não há tempo, não há ontem, nem amanhã.
Aqui eu não vivo. Aqui eu não existo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cabeça vazia...



Nada pra escrever aqui já faz um bom tempo. Nenhum pensamento ou sentimento interessante.

É estranho... é como se meu cérebro tivesse entrado no piloto automático: acordar, trabalhar, dormir. Não pense, não reflita, não sinta, não se emocione!
Me pergunto até quando será assim.
Me pergunto se não é melhor assim...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Citação do dia: Motivo

"Meu velho amigo, meu querido amigo. Como eu tinha podido abandoná-lo com tanta frieza? Por que a vergonha e o ódio a si mesmo se transformam em crueldade para com os inocentes? Por que isso costuma acontecer com tanta frequência?"
Anne Rice
Pronto, agora vocês entendem por quê?

sábado, 26 de março de 2011

Por um fio


Bendito, ou maldito, seja
Fio único e solitário
Resistente e tenaz
Encorpando-se a cada dia
Prende-me a esta amarga vida
Obriga-me a engolir o féu
De cada amanhecer.
Maldito, ou bendito, seja.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dia da mulher

O dia da mulher passou (COMPLETAMENTE ofuscado pelo carnaval...), mas ainda dá pra fazer mais uma reflexão daquelas! (Na verdade, escrevi esse texto ano passado, só para uns amigos, agora estou compartilhando na blogosfera).

Sugestão: leia o post ouvindo essa música (ou ouça antes, ou depois, ou não ouça, ou não leia, ou faça o que quiser...)




O dia internacional da mulher não era pra ser uma data machista, mas acabou se tornando.

Eu não parabenizo as mulheres nessa data. Por que eu faria isso??? O que as mulheres que eu conheço fizeram que mereça parabéns pelo simples fato de serem mulheres? Afinal, as mulheres não lutaram tanto para que fossem tratadas como iguais? (Como de fato são!)

Para mim, isso é uma atitude machista; como se os homens devessem parabenizá-las por conseguir fazer tudo o que eles fazem! Elas são inferiores a eles? Eu acho que não.

O 8 de março deveria ser uma data para lembrarmos da vergonha que os homens imprimiram na história e das histórias de todas as mulheres que no passado lutaram e morreram por seus direitos (aliás, deveríamos lembrar disso todos os dias, mas isso já é outra reflexão...) . Elas é que merecem parabéns, porque com seu amor e seu sangue mudaram o mundo (embora saibamos que ainda existem muitas coisas a mudar).

Mas quantos se lembrarão disso hoje??? Os homens apenas desejam parabéns, dão uns beijos e abraços. E as mulheres, o que é pior ainda, se satisfazem com isso!!! Aquelas coniventes com isso, na minha opinião, jogam fora toda a herança que suas antecessoras deram a vida para conquistar. É muito fácil desvalorizar o que não lutamos para ter!!!

Talvez elas achem que sempre foi possível falar o que pensa, ter amigos e fazer amor com quem quiser, e que o dia das mulheres existe só para receber flores e alimentar o ego feminino. É por atitudes assim que nossa sociedade ainda não se livrou de vez do machismo; homens e MULHERES ainda acham que elas são florzinhas delicadas que têm que ser cuidadas, princesas virgens que têm ser resgatadas, seres que merecem ser parabenizados pelo simples fato de terem dois cromossomos X...

É claro que existem diferenças inerentes aos dois sexos, mas isso não justifica muitos comportamentos sociais que vemos hoje. Se as mulheres querem igualdade de fato, ajam como iguais e exijam dos homens que as tratem assim. Podemos começar nem dando nem aceitando parabéns hoje, certo? ;D

sexta-feira, 4 de março de 2011

Feriado!

"Eu saí de casa, a rua colorida, fantasias, foliões conseguem me mostrar que um rosto sem máscara esconde mais com a cara nua, sempre tem um sorriso largo mostrando o que não é.
Uma máscara perdida nesse chão tem a forma do seu rosto que só finge por aí. Escondendo uma palavra, mente a todas as canções, cada frase inicia um discurso de ilusões. Que dia é esse que só nasce pra você?
Quando chega o carnaval mais ninguém te encontra. Pra você são só uns dias e você quer ter a vida inteira, com a cara toda nua, brincar com quem quiser."
Cara nua, Skank

Carnaval chegou, época do ano em que o país para pra se mexer. Nessas ocasiões, eu sempre fico com a mente inquieta...
Teoricamente, a razão de existir um feriado é se comemorar ou lembrar de algo importante, mas parece que é inerente ao brasileiro esculhambar tudo. Pergunte a alguém qual o propósito do carnaval e você ouvirá coisas do tipo: "se divertir", "esquecer dos problemas", e por aí vai. Difícil encontrar quem lembre que o carnaval é uma data do calendário católico que marca o início do período de penitência da quaresma. Quase impossível achar alguém que saiba que essas festas remontam a antes mesmo do cristianismo, e que a igreja as incorporou na Idade Média.
Enfim, então temos que feriados não significam mais nada, só uma oportunidade de descansar. Afinal, quem para pra refletir sobre as lutas dos trabalhadores no 1º de maio? Quem se pergunta por quais motivos D. Pedro I declarou a independência? E eu já começo a achar engraçado todo ano alguém perguntar "15 de novembro é feriado de quê mesmo?".
Mas todo mundo lembra por que 12 de outubro ou 2 de novembro são feriados, o que me leva a mais revolta! No Brasil temos 11 feriados nacionais, decretados pelo Poder Federal e válidos em todo o país. Desses, 6 (!) são feriados religiosos, TODOS cristãos, METADE estritamente católicos...
Peraí, sempre fico confuso nessa parte. Não consigo encaixar isso na minha cabeça que pensa que o Brasil é um país laico DESDE 1891. Como um país laico pode ter uma SANTA PADROEIRA? Como podemos ser democráticos e dar tanto valor às crenças de apenas uma parcela da população? Temos evangélicos, judeus, muçulmanos, umbandas, macumbeiros, budistas, espíritas, ateus... Por que não temos feriados que contemplem todos eles?
Deveríamos acabar com os feriados religiosos (seguindo exemplo de vários países), pois isso é uma afronta à democracia, e dar mais valor à nossa história, pois ela sim é de todos nós! Em vez de gastar milhões em desfiles de samba, poderíamos construir museus pra conhecer melhor Tiradentes, ou organizar palestras sobre revoluções populares, ou conclamar a população a discutir a história da república, ou sei lá!!! Qualquer coisa...
Em tempo, o Ceará só tem um feriado estadual (adivinhe!): dia de São José, padroeiro do estado. Não tem nada na história cearense que mereça ser lembrado mais do que um santo?! Até há alguns anos, Fortaleza também tinha um feriado municipal, mas atualmente não deixamos de trabalhar só porque é dia de Nossa Senhora da Conceição.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Felicidade.

Meu Mundo na Internet: Felicidade.
"A felicidade é a única razão de viver; quando a felicidade falha, a existência torna-se uma louca e lamentável experiência."

Sim, a única.
Sim, louca e lamentável.
Sim, é isso mesmo, exatamente isso.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Meu lado feminino

Tipo, passei a semana passada inteira me sentindo sensível, melancólico e com uma tremenda vontade de me entupir de chocolate (à qual não cedi).
Fiquei refletindo sobre o que estava acontecendo comigo até que meu lado feminino resolveu se pronunciar:
"Ora, não é óbvio, seu bobinho? Você está de TPM..."
Me censurei por não ter percebido antes.

Em tempo! Falando em coisas de mulher...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Promessa

[DSC06711pequena.JPG]
Prometa-me que nunca entrarás num jardim florido,
Porque tua boca se confundirá com as rosas,
Teu cheiro se confundirá com o dos lírios,
Tua voz se confundirá com o canto dos pássaros
E teus olhos se confundirão com o orvalho refulgindo ao sol.

E, então, passarei o resto dos dias te procurando,
mas nunca conseguirei te encontrar...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Lentes escuras










Certo dia, por acaso topei com meu reflexo em uma vidraça.
E não pude evitar lhe fazer as perguntas que tanto me atormentam:

"Quantas lágrimas você consegue esconder atrás dessas lentes escuras?
Quantas são de alegria?
Quantas são de tristeza?
Quantas são de dor?

Quantas são pelos outros?
Quantas são por você?

Quantas você poderia ter evitado?
Quantas você conseguiria segurar, se tentasse?"

E a única resposta que ele me deu foi um par de silenciosas, inexpressivas, inescrutáveis lentes escuras.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Citação do dia

"Os Deuses amam o caos, mas a maioria de nós o teme, e é por isso que tentamos fazer a ordem. Mas quando você tem ordem, você não precisa dos Deuses. Quando tudo está bem ordenado e disciplinado, nada é inesperado. Se você entende tudo, não resta espaço para a magia. Só quando está perdido, apavorado e no escuro é que você chama os Deuses, e eles gostam de ser chamados. Isso os torna poderosos, e é por isso que gostam de que vivamos no caos."
Bernard Cornwell

Polêmico, mas gera boas reflexões. Não quero falar aqui da fé genuína, pois nada sei sobre ela; não posso negar que ela existe, assim como não posso negar que ela é raríssima. Também não quero especular sobre a existência de Deuses, apenas sobre o motivo que nos faz acreditar Neles.
Falo da fé das Massas (se é que posso chamá-la de fé), da fé cega, do fanatismo. Ora, viver não pode ser dissociado de sofrer; a vida implica, necessariamente, em angústia, incerteza, dor. E a maioria das pessoas não consegue encarar a vida assim sem supor que deve haver algum motivo para tanto sofrimento. Por isso elas buscam a existência de Deuses, para em seu desespero e medo diante do incerto encontrar algo que lhes conforte e lhes dê uma razão. Elas buscam uma explicação para o sofrimento da vida.
A religião se alimenta do caos na mente das pessoas ao tentar entender o mundo. O que a consciência não compreende de maneira lógica, a religião dá uma resposta. Mas já faz alguns séculos que a Ciência vem entregando, de uma maneira ou de outra, essas respostas às pessoas numa velocidade espantosa. Estamos compreendendo, racionalmente, as leis que regem o universo, que nos permitiram evoluir e pensar, e que de fato não há nenhum motivo maior para estarmos aqui sofrendo. Quem precisa da ajuda de Deuses, então?
A fé das pessoas é motivada pelo medo, medo de que, afinal, não haja um sentido para a vida.

P.S.: Me inspirei pra escrever esse comentário porque andei lendo isso aqui.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lembranças em presente


Nossa! Mas que noite linda! O vento sopra de leve, brincando com as folhas, e a grama acaricia meus pés descalços... Tudo é tão bom! Sinto-me em paz, em equilíbrio. Gostei muito desta praça; embora ela seja muito bonita durante o dia, com as crianças brincando e as pessoas passeando, conversando felizes, sua beleza não se perde à noite, apenas se modifica, residindo no mistério que a escuridão traz; é difícil encontrar um lugar assim no meio de uma metrópole, que traga tanta alegria interior e calma.
Respiro com prazer o ar fresco que o vento me traz e é como se a cada nova inspiração eu renascesse; o farfalhar das árvores parece me convidar para dançar com elas, como se fosse uma música; a Lua minguante sorri para mim e eu retribuo o sorriso como se fôssemos velhas amigas. Ah, como é bom estar em harmonia com a vida, a natureza! Sinto-me parte do cosmo, não um ser isolado que não consegue se ver como um fio na trama da realidade.
Vou andando sem prestar atenção no caminho que faço, e de repente vejo-me em frente a uma grande árvore, bem robusta e antiga; seu grosso caule trás grandes cicatrizes de galhos podados há muito tempo. Os galhos remanescentes são muito altos, inacessíveis... mas não para mim. Um pequeno esforço, um grande salto e estou trepada num dos galhos mais abaixo; vou galgando os outros ramos até ficar bem no centro da copa, totalmente cercada por um domo de infinitas folhas. Sentada aqui, posso sentir sobre mim todo o peso da idade desta árvore; sinto-me pequena e frágil e que minha vida não vale nada diante da vida deste imponente ser; abraço-me a seu caule e me vem a sensação de que a própria Terra acolheu-me em seus braços para me ninar e proteger. Que histórias esta árvore teria para contar? Que segredos ela guarda bem em seu cerne? É uma curiosidade à qual não consigo resistir... não numa noite como esta.
Pego minha pequena faca ritual e faço um furo em seu tronco, fazendo a seiva aflorar.
-Desculpe-me por essa pequena ferida, minha amiga, mas gostaria de dividir nossos segredos, se não se importa.
Talho levemente, então, a palma de minha mão e a coloco sobre o ferimento da árvore; meu sangue e sua seiva se misturam e nossos espíritos entram em contato e tornam-se um só. Perco minha noção de identidade, não mais me vejo como eu; sou invadida por uma torrente de lembranças antigas que se seguem rápida e desordenadamente.
Mas, com certo esforço, consigo discernir que fui plantada há muito tempo, com a esperança de que fosse uma grande árvore. Tamanho foi o carinho daqueles que cuidaram de mim na fase mais crítica de minha vida, que prometi a mim mesma me esforçar ao máximo para não desapontá-los; a cada dia que passava, esticava-me tudo o que podia em direção ao céu. Logo, meu tamanho já atraía crianças, que brincavam ao meu redor, e enamorados, que juravam amor eterno à minha sombra e entalhavam sua iniciais em meu tronco, pequenos arranhões que me enchiam de alegria. E aquilo tudo me deixava muito realizada.
Isso sem falar do coro de dezenas de passarinhos celebrando cada amanhecer. Lembro-me de cada um deles, desde que eram ovinhos, passando pelos ninhos que fizeram em mim, até o momento em que voltaram para o seio da Terra, fechando o eterno ciclo da vida.
As coisas ao meu redor foram mudando. Os raios do sol agora têm que se esforçar para atingir minhas folhas, em meio a tantas estruturas altas de concreto, e já não há mais tantos passarinhos para comemorar quando eles chegam. O asfalto cobre a terra e não há mais tanta água no solo para eu sugar até a ponta dos galhos. O ar é tão pesado e imundo que quase não consigo respirá-lo. E as pessoas... Bem, quase ninguém se importa mais com quanta sombra eu faço ou deixo de fazer.
Um dia vieram homens que cortaram meus ramos mais antigos e robustos por motivos banais; muito sangrei e adoeci mortalmente. Senti que iria morrer. Lembrei-me de minha promessa e me perguntei se ainda valia a pena me esforçar para cumpri-la. E percebi que minha promessa agora era um desafio; um desafio à apatia e falta de percepção das pessoas. A maioria delas não ligava mais para o beneficio que eu podia lhe dar; pois eu ia fazer-lhe ligar dando o melhor de mim! Dirigi todas as minhas forças para aumentar minha copa. Aos poucos, a ferida sarou e a doença passou. E eu continuo me esforçando para crescer mais e mais, pois sei que quanto maior for a sombra que produzo, mais crianças brincarão, mais apaixonados se prometerão, mais trabalhadores descansarão seus músculos, mais pensadores refinarão suas idéias...


E mais feliz eu serei.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Citação do dia

"Já percebeu como você encontra uma jovem no auge da beleza, com um rosto capaz de arrancar as próprias estrelas do céu, e um ano depois a descobre fedendo a leite e merda de criança, e fica imaginando como pôde achá-la tão bonita? Os bebês fazem isso com as mulheres, por isso olhe para ela, olhe agora, porque ela nunca mais será tão linda."
Bernard Cornwell
Fato impossível de ser refutado.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Neil Gaiman e o Livro Livre


Coletiva na FLIP 2008.
"Da minha perspectiva o inimigo não é a idéia de que as pessoas estão lendo livros de graça. Ou lendo na internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem."


Sim, eu sei que é um tema polêmico pra caramba, e blábláblá... Mas não se pode negar que há uma certa verdade perturbadora no que Mestre Gaiman diz.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Atestados

Você percebe que está à beira do desespero quando pede ajuda ao seu gato.
E percebe que já mergulhou na loucura quando ele responde.

Despertar

Sabe aquele momento em que você caminha, vagaroso, pelo reino de Morpheu, abrindo caminho pelas brumas do sono e, de repente, percebe que está acordado?
Pois é... é o pior momento do dia.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011











Essa dor que não cessa
Essa ferida que não cura
Essa úlcera dentro de mim
que não para de sangrar

Todos os dias eu choro
Todas as noites eu grito

Mas não importa o quanto eu busque
o quanto eu implore
o quanto eu me contorça em desespero
No fundo eu sei que não há solução

Tem noites em que...


Tem noites em que o grito quer escapar.
As lágrimas fazem pressão pra sair.
E eu tenho vontade de chorar por mim mesmo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sobre a loucura

Eu sempre achei que a loucura fosse apenas uma maneira pouco ortodoxa de interpretar as coisas do mundo. Pra mim, um louco era somente alguém que não entendia as coisas do mesmo ponto de vista que a maioria. (Ressalto aqui que estou falando de distúrbios psicológicos, e não psiquiátricos).
Ora, eu mesmo fui chamado de louco a vida inteira por esse motivo. Quando criança, não gostava de fazer muitas coisas que os outros pequenos faziam e não me divertia com as atividades dos meus familiares, e nenhum dos meus parentes ou amiguinhos hesitavam em exclamar "Esse menino é todo doido!" quando eu alguma vez negava ir à praia ou jogar bola na rua.
Quando adolesci, por vários motivos comecei a questionar tudo ao meu redor. Foram anos chegando a conclusões perturbadoras acerca de vários paradigmas sociais. E não me lembro, nessa época, de nenhuma vez em que as compartilhei e vi uma reação diferente do escárnio, desdém, repulsa ou um risinho ridículo (vale lembrar que isso acontece até hoje). As pessoas repetiam com tanta frequência e veemência que eu era perturbado, que eu simplesmente passei a aceitar isso. Não no sentido ruim, claro. Compreendi que minha loucura não passava de uma ruptura dos padrões, que as pessoas taxavam de loucura por serem  incapazes de levar a sério suas consequências, e nunca me envergonhei ou lutei contra ela.
Tipo, como disse Caio Fernando Abreu: "Loucura, eu penso, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável."
Mas hoje creio que começo a arranhar o verdadeiro significado da insanidade. Pois embora tenha certeza de que minha cabeça seguia padrões muito estranhos, ela ainda seguia padrões. Mas uma mente perturbada não apenas funciona de maneira diferente; ela chega a não funcionar bem sob certo aspecto. Parte dela se sente tão torturada por sofrimentos, que deixa de operar suas funções corretamente. Certos raciocínios não conseguem se completar, se perdendo no percurso, os pensamentos ficam caóticos e você não consegue pensar em algumas coisas com a clareza que queria. Uma névoa turva sua cabeça permanentemente e você não consegue mais julgar certos fatos com a certeza de antes. A natureza exata do problema depende de como a mente de cada um é posta em prova.
Hoje sei que estou me aprofundando em um outro nível de insanidade. Mas o que mais me perturba é aquela velha pergunta: "um louco sabe que é louco?"

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Tem noites em que...




Tem dias em que as noites são mais frias.
Tem noites em que o dia não termina.
E eu lembro, com medo, do dia de amanhã.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Mago: crônica

Joana virou rápido a cabeça para trás e, com terror no coração, viu que o tecnocrata diminuía a distância entre os dois a cada passo. Já havia corrido muito, tentando despistar seu perseguidor passando por ruas pequenas e vielas escuras que conhecia tão bem, mas o homem simplesmente corria demais e estava sempre logo atrás dela. Agora estava exausta, pálida, cada músculo mal aguentando a próxima contração e sem idéia do que fazer. Estava perto da sede da cabala, mas não podia ir até lá com ele em seu encalço. Começava a se entregar ao desespero.
Virando uma esquina, porém, seu cérebro raciocinou uma nova esperança: alguns metros à frente, havia um hidrante. Só precisava aguentar a corrida um pouco mais.
- Está bem enferrujado, mas a chance dele estourar ainda é muito pequena. - ela pensou.
Logo atrás, ela ouviu uma arma sendo engatilhada. Não podia mais esperar: a ferrugem não suportou mais a pressão da água e a tampa do hidrante foi arremessada na direção de Joana com uma velocidade assustadora, mas ela viu o pedaço de metal aproximar-se lentamente, acompanhado de milhões de gotas d'água flutuando leves no ar. Pisou, então, sobre a tampa, o que lhe deu impulso para um grande salto. Pensou que podia respirar aliviada quando, ainda no ar, sentiu algo perfurando suas costas. Olhando para baixo, viu uma bala e vários respingos de sangue saindo preguiçosamente de sua barriga. Pouco depois, o som do disparo propagou-se devagar pelo ar, grave, retumbante, quase eterno e ferindo os tímpanos de Joana.
Ela se esforçou para manter sua mente concentrada, mas a dor e o susto fizeram o mundo voltar a sua velocidade normal. A dor dentro de si a impediu de amortecer bem a queda, e ela torceu o pé ao atingir o chão, desajeitada. Caída, parte da água do hidrante jorrando sobre ela, olhou para trás e viu que seu plano havia dado certo: a tampa do hidrante ricocheteou no chão quando foi pisada e acertou o queixo do tecnocrata. Sua mandíbula estava despedaçada e ele jazia inconsciente no chão.
Joana tentou sorrir, mas não conseguiu: sentiu o dano em suas entranhas e a vista embaçou. Levantou-se trêmula, a mão sobre o ferimento tentando estancar o sangue, mas ela sabia que não podia impedir que ele continuasse inundando dentro de seu corpo. Tinha uns 2 km de caminhada até a sede da cabala, e enquanto mancava até lá pensava se seria mais provável morrer de hemorragia ou infecção...

Algum dia eu espero escrever o que houve a Joana e porque ela estava sendo perseguida.