terça-feira, 21 de junho de 2011

Feliz solstício

Olha a chuva!
É mentira...

E é mentira mesmo, pois chegamos no solstício de inverno. Embora no Ceará (e no nordeste, de forma geral) não neve, nem faça mais frio nessa época do ano, é uma data que não passa batida no calendário. A maioria das pessoas associa com o início da estação dos ventos fortes, tempo da meninada soltar raia (pipa, papagaio...) na rua. Mas quase ninguém entende como o solstício tem impacto muito mais profundo em nossa cultura e nossos costumes.
O solstício de inverno marca o fim da estação chuvosa. Por isso, junho é o mês em que o sertanejo colhe o que plantou, é quando as plantas estão abundantes de frutos e os animais gordos de tanto pastarem. Enfim, é o limite da bonança, antes das provações da estação seca.
E o que fazer com tanta fartura? Comemorar, ora! Aí é que entra em cena a magia de transformar macaxeira em bolo, milho em canjica, algodão em roupa nova e madeira seca em fogueira pra gente pular. Os festejos juninos nada mais são do que uma maneira de celebrar a colheita do ano, um dos costumes humanos mais antigos, pagãos e condenados pela Igreja Católica durante a Idade Média. Irônico DEMAIS que eles tenham se desenvolvido em torno da adoração dos santos lembrados em junho; supondo que não houvesse dia de santo nenhum nesse mês, o sertão ainda pipocaria de arraiás, expressão máxima da cultura e da vida nordestinas!