quarta-feira, 1 de junho de 2011

Como um filme ruim

Eu é que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar.

Raul Seixas

Recentemente, o mundo mais uma vez deveria ter acabado e não acabou. E, como sempre, a euforia tomou conta das pessoas.

Não é engraçado como todo mundo se comporta quando surge uma história dessas? Parece que as pessoas ficam na expectativa, esperando pra ver o fim de tudo. Acho que isso acontece porque, enfim, ninguém está gostando do mundo mesmo, como quando a gente vê um filme ruim e pensa: "Ai, que saco! Esse filme não acaba, não?!". E agora, com toda essa parafernália de FaceTwitterKut.net, qualquer mané que conclua que o mundo vai acabar semana que vem, baseado na cosmologia dos antigos cherokees da Patagônia do Oeste, logo causa um rebuliço mundial. Viva a inclusão digital!

EI, VOCÊ! É, você mesmo, morgando aí na internet! Você anda gostando do mundo, acha ele um lugar legal? Não?! Bem, você não o único. Mas, em vez de simplesmente ficar esperando que ele acabe em um final apoteótico, que tal fazer algo a respeito? A internet serve pra algo mais além de descobrir a próxima previsão do apocalipse. Nas redes sociais virtuais você pode encontrar outras pessoas insatisfeitas no seu bairro ou cidade, e pode unir-se a elas pra tentar fazer do mundo um lugar melhor. É claro que você vai viver com a frustração de que nunca conseguirá fazer qualquer mudança significativa, mas irá morrer com a consciência de que fez o que pôde, e talvez até consiga mudar uma vida ou duas, veja só!
Ou isso, ou se mate. Porque esperar o mundo acabar não tem se mostrado muito eficiente.

PS: Vou é ler Belas Maldições, que é melhor...